quarta-feira, 18 de março de 2009

Violência nas escolas - Manuel Matos


"Há um contexto favorável à ocorrência de rebeliões", diz Manuel Matos, investigador e docente na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, da Universidade do Porto. A violência na escola é um assunto "velho" com uma nova visibilidade."Boa parte dos alunos problemáticos não esperam nada da escola, estão lá apenas porque não têm outras alternativas e são forçados a isso", reflecte Manuel Matos. "A família obriga e o Estado não apresenta alternativa em termos de programas de trabalho."Para o investigador, os fenómenos de indisciplina ou violência são gerados colectivamente. A turma constitui um colectivo. E portanto, "é difícil identificar quem é o responsável". Embora o acto de indisciplina apareça encabeçado, "o protagonista não é necessariamente o principal responsável pela cena, porque a responsabilidade gera-se num contexto colectivo", alerta Manuel Matos.
A seguir, algumas questões para sua reflexão. Na sua escola:
- Todas as pessoas (alunos, funcionários, professores, pais...) são respeitadas?
- Os professores têm se atualizado, visando um ensino de qualidade?
- Os temas da violência e dos direitos dos cidadãos fazem parte integrante do currículo escolar?
- A escola oferece palestras e cursos sobre o tema da violência? Esses eventos têm contado com a participação da família e da comunidade?
- As diferentes opiniões são respeitadas ?
- As famílias têm assumido o seu papel na formação de seus filhos?
- As expressões dos alunos sobre as mais variadas situações têm sido incentivadas?

Violência


"A questão da violência e as violações dos direitos humanos no Brasil, especialmente as que atingem a vida e a integridade física dos indivíduos, além de serem amplamente divulgadas na sociedade em geral, aparecendo com bastante ênfase nos meios de comunicação de massa, constituem-se, segundo as pesquisas de opinião pública, em uma das maiores preocupações da população nas grandes cidades." "Esta negação dos direitos fundamentais à maioria da população brasileira encontra explicação no modelo econômico e social excludente, que apresenta grandes disparidades quanto ao acesso da população aos bens sociais, caracterizando-se como uma sociedade que apresenta uma das piores distribuições de renda do mundo. A convivência dos indivíduos, em extrema desigualdade social, certamente é um dos fatores que muito contribuem para a degradação do comportamento humano." "É preciso que trabalhemos um novo formato de prática pedagógica, em que a escola passe a ser, de fato, local de aprendizagem, de uma nova cultura, a da aprovação e da formação da cidadania, entendida como a materialização dos direitos sociais a todos os cidadãos".